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Quando agradar é sobrevivência: o fawning como resposta ao trauma

  • Foto do escritor: Instituto Neurofeedback
    Instituto Neurofeedback
  • 4 de fev.
  • 3 min de leitura

Você já ouviu falar que o trauma pode gerar respostas automáticas como lutar, fugir ou congelar. Essas reações são bem conhecidas na psicologia e na neurociência do trauma.

Mas existe uma quarta resposta ao trauma, pouco falada e extremamente comum, que afeta silenciosamente muitas pessoas: o fawning.

O fawning está por trás de padrões como dificuldade em dizer não, medo excessivo de conflito, necessidade de agradar e tendência a se adaptar demais ao outro. Reconhecer essa resposta é fundamental para compreender certos sofrimentos emocionais e relacionais — e para buscar formas eficazes de tratamento, como o neurofeedback.

O que é fawning?

O termo fawning descreve uma resposta automática do sistema nervoso ao trauma, em que a pessoa aprende que agradar, ceder e evitar conflitos é a forma mais segura de manter vínculos e evitar rejeição ou abandono.

Em português, o fawning pode ser compreendido como:“agradar para sobreviver”.

Esse padrão não é uma escolha consciente nem um traço de personalidade. Ele é uma estratégia de sobrevivência aprendida, especialmente em contextos de trauma relacional.

Respostas ao trauma: lutar, fugir, congelar… e agradar

Diante de uma ameaça real ou percebida, o sistema nervoso autônomo assume o controle para garantir sobrevivência. As respostas mais conhecidas são:

  • Luta (fight): reagir, confrontar, atacar.

  • Fuga (flight): evitar, escapar, manter-se em constante movimento.

  • Congelamento (freeze): paralisar, desligar, dissociar.

O fawning se diferencia porque é uma resposta relacional. Ele surge quando o corpo entende que o vínculo é a principal fonte de segurança.

Fawning e trauma relacional

Estudos e artigos recentes publicados em fontes como Psychology Today e pela British Psychological Society mostram que o fawning costuma se desenvolver em ambientes onde:

  • o conflito era perigoso,

  • o afeto era instável ou condicionado,

  • a criança precisava “ler” o outro para se manter segura.

Nesses contextos, o sistema nervoso aprende que manter o outro satisfeito é essencial para sobreviver emocionalmente.

Attachment como defesa ao trauma

A reportagem da New Yorker sobre o tema do fawning destaca um aspecto central: o fawning não é apenas comportamento, mas um estado de vigilância emocional constante.

A pessoa vive com perguntas internas como:

  • “Será que eu fiz algo errado?”

  • “Você está bravo comigo?”

Aqui, o apego (attachment) deixa de ser apenas um estilo relacional e passa a funcionar como mecanismo de defesa ao trauma.

Por que o fawning é tão difícil de identificar

Diferente da luta ou da fuga, o fawning costuma ser socialmente reforçado. Pessoas que agradam são vistas como empáticas, colaborativas e “fáceis de lidar”.

Por isso, o sofrimento passa despercebido — até que o custo aparece:

  • exaustão emocional,

  • dificuldade em colocar limites,

  • confusão de identidade,

  • relações pouco autênticas,

  • sensação de estar sempre presente, mas nunca inteiro(a).

Fawning não é fraqueza

Como aponta a literatura em psicologia do trauma, fawning não é fraqueza nem falta de personalidade. É uma adaptação do sistema nervoso a ambientes percebidos como inseguros.

Nomear esse padrão é essencial para sair da culpa e entrar na compreensão e na compaixão.

Por que só a consciência não resolve

Muitas pessoas entendem racionalmente que agradam demais, mas não conseguem mudar. Isso acontece porque o fawning é psicofisiológico, não apenas cognitivo.

Em estados de trauma:

  • a amígdala permanece hiperativada,

  • o cérebro social entra em hipervigilância,

  • o acesso ao autocontato e à autorregulação diminui.

Ou seja, o corpo não se sente seguro o suficiente para escolher diferente.

Como o neurofeedback pode ajudar no fawning

No Instituto Neurofeedback, compreendemos o fawning como um fenômeno corpo–mente. Por isso, utilizamos abordagens que atuam diretamente na regulação do sistema nervoso.

Biofeedback

Auxilia na regulação do sistema nervoso autônomo, reduzindo estados de alerta crônico e promovendo sensação de segurança fisiológica.

Neurofeedback

Treina o cérebro a:

  • reduzir padrões automáticos de hipervigilância,

  • aumentar autorregulação emocional,

  • recuperar flexibilidade entre emoção, pensamento e ação.

Quando o sistema nervoso aprende que está seguro, não precisa mais agradar para sobreviver.

Curar não é virar duro — é se sentir seguro

Trabalhar o fawning não significa se tornar rígido ou insensível. Significa permitir que o corpo saia do modo sobrevivência e volte ao modo de escolha.


Como reforçamos no Instituto Neurofeedback:

Você não é assim. Seu sistema nervoso aprendeu assim.

Com regulação, vem a clareza. Com segurança, vem a autenticidade.


Instituto Neurofeedback

Neurofeedback, biofeedback e autorregulação para saúde emocional e relacional.

Se você se identificou com esse conteúdo, talvez seja o momento de investigar com mais cuidado o que seu sistema nervoso aprendeu — e como ele pode aprender algo novo.


 
 
 

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