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consulta de neuro e biofeedback

Você sabe o que precisa fazer, mas não consegue começar?

Foto do escritor: Instituto Neurofeedback
Instituto Neurofeedback
8 de set.
4 min de leitura

Entenda por que saber o que fazer não garante conseguir começar, manter o foco e concluir uma tarefa — e quando buscar avaliação.



Você abre o computador sabendo exatamente o que precisa fazer. Organiza os materiais, consulta a agenda e promete que desta vez vai começar. Poucos minutos depois, está respondendo mensagens, abrindo novas abas ou realizando tarefas menores. O trabalho principal permanece intocado. Em outros momentos, você até começa, mas não consegue sustentar. Lê a mesma página várias vezes, perde partes da conversa, esquece instruções ou só consegue produzir quando o prazo se transforma em emergência.


No final do dia, sente-se frustrado e pergunta: “Se eu sei o que preciso fazer, por que simplesmente não faço?”. Essa dificuldade costuma ser interpretada como preguiça, falta de disciplina ou desinteresse. Entretanto, saber o que fazer e conseguir executar dependem de processos diferentes.


Atenção não é apenas concentração

Quando falamos em atenção, pensamos na capacidade de olhar para um objeto ou permanecer concentrado. Mas o funcionamento atencional envolve várias operações:

  • perceber o que é relevante;

  • direcionar recursos para a tarefa;

  • preparar-se para responder;

  • sustentar o estado de atenção;

  • alternar entre demandas;

  • inibir distrações;

  • controlar impulsos;

  • monitorar o próprio desempenho;

  • concluir e encerrar a atividade.

Uma pessoa pode compreender perfeitamente a tarefa e, ainda assim, ter dificuldade para colocar esses processos em funcionamento de maneira coordenada.


A distância entre intenção e ação

Funções executivas permitem transformar intenção em comportamento. Elas participam do planejamento, da priorização, da memória de trabalho, do controle inibitório e da avaliação das consequências. Quando há dificuldade nessas funções, podem surgir situações como:

  • adiar tarefas importantes;

  • depender de urgência para produzir;

  • esquecer etapas;

  • começar várias coisas e não concluir;

  • perder prazos mesmo utilizando agenda;

  • alternar distração e hiperfoco;

  • sentir que tarefas simples exigem esforço excessivo;

  • evitar atividades longas ou pouco estimulantes;

  • acumular culpa e autocrítica.

Nem sempre existe falta de motivação. Muitas vezes, a pessoa deseja realizar a tarefa, conhece sua importância e sofre por não conseguir iniciá-la.


O cérebro precisa preparar-se para responder

O livro Neurofeedback: How It All Started apresenta a história das pesquisas com potenciais corticais lentos. Em 1964, William Grey Walter descreveu a variação negativa contingente, conhecida como CNV. Ela pode ser observada quando um primeiro estímulo avisa que outro estímulo importante está prestes a ocorrer. Durante o intervalo, o cérebro produz uma mudança elétrica lenta relacionada à expectativa, à atenção e à preparação para responder. Um exemplo simples é esperar o sinal abrir. Você ainda não começou o movimento, mas seu cérebro já está se organizando para agir. Essa preparação ajuda a compreender que uma resposta não começa apenas quando o comportamento se torna visível. Antes da ação, o sistema nervoso precisa criar um estado adequado de prontidão.


O que isso tem a ver com o TDAH?

Pesquisas apresentadas no livro identificaram, em alguns grupos com TDAH, uma CNV reduzida durante tarefas atencionais. Hartmut Heinrich, Holger Gevensleben, Ute Strehl e outros pesquisadores passaram a investigar o treinamento de potenciais corticais lentos como forma de desenvolver autorregulação. Em alguns estudos, o treinamento foi associado à melhora de sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade. Também foram observadas mudanças na própria CNV. Esses resultados sugerem que parte da dificuldade não está apenas em “prestar atenção”, mas em regular o estado cerebral necessário para preparar, iniciar e sustentar uma resposta. Entretanto, é importante evitar conclusões simplistas. Uma CNV reduzida não diagnostica TDAH isoladamente, e nem toda pessoa com TDAH apresenta o mesmo padrão.


Nem toda dificuldade de atenção é TDAH

Muitas condições podem produzir sintomas semelhantes:

  • privação de sono;

  • ansiedade;

  • depressão;

  • burnout;

  • estresse crônico;

  • uso excessivo de estímulos digitais;

  • efeitos de medicamentos;

  • consumo de álcool ou outras substâncias;

  • alterações hormonais;

  • dificuldades de aprendizagem;

  • dor;

  • problemas médicos;

  • ambiente desorganizado ou excessivamente exigente.

Uma pessoa que dorme mal pode apresentar desatenção, impulsividade e baixa memória de trabalho. Alguém ansioso pode abandonar tarefas porque está monitorando ameaças. Na depressão, iniciar ações pode exigir esforço muito maior. Por isso, reconhecer-se em alguns sintomas não é suficiente para concluir que existe TDAH.


Por que a urgência às vezes ajuda?

Algumas pessoas relatam que só funcionam quando o prazo está terminando. A urgência aumenta a ativação e torna as consequências mais imediatas. Isso pode facilitar temporariamente o início da tarefa, mas cobra um preço elevado: estresse, trabalho noturno, exaustão, ansiedade e sensação constante de fracasso. Quando esse padrão se repete, a pessoa pode passar a depender da crise para obter o nível de ativação necessário. O objetivo não deve ser simplesmente eliminar toda pressão, mas desenvolver formas mais sustentáveis de iniciar e manter o comportamento sem precisar transformar cada tarefa em emergência.


Estratégias que podem ajudar

Algumas medidas práticas reduzem a distância entre intenção e ação:

  • definir o primeiro passo de maneira concreta;

  • dividir tarefas grandes em unidades menores;

  • retirar estímulos concorrentes;

  • trabalhar em blocos com início e término;

  • deixar materiais previamente organizados;

  • utilizar lembretes externos;

  • estabelecer prazos intermediários;

  • programar pausas;

  • dormir de forma suficiente;

  • reduzir a autocrítica durante o início.

“Fazer o relatório” pode parecer grande demais. “Abrir o documento e escrever o título” é uma ação executável. Às vezes, o cérebro precisa de uma entrada mais simples para construir continuidade.


Onde entra o neurofeedback?

O neurofeedback utiliza informações em tempo real sobre a atividade cerebral para treinar autorregulação. Dependendo da avaliação, é possível que sejam considerados protocolos relacionados à estabilidade, atenção, controle inibitório ou regulação do nível de ativação. O treinamento não pretende obrigar a pessoa a concentrar-se. Procura desenvolver a capacidade de reconhecer e sustentar estados mais compatíveis com a tarefa. O neurofeedback pode integrar um plano que inclua orientação familiar, acompanhamento psicológico, estratégias executivas, intervenções escolares, atividade física e tratamento médico quando indicado.


Talvez não seja falta de esforço

Muitas pessoas com dificuldades atencionais já estão se esforçando mais do que os outros percebem. Compensam esquecimentos, trabalham até tarde, criam sistemas de organização e tentam esconder o quanto atividades comuns podem ser desgastantes. Quando o esforço é invisível, recebem críticas justamente no ponto em que mais precisam de compreensão e estratégias adequadas.


Se você vive lutando contra o próprio cérebro para começar ou concluir tarefas, uma avaliação pode ser o caminho para compreender o que está acontecendo. No Instituto Neurofeedback, investigamos atenção, funções executivas, sono, ansiedade e padrões neurofisiológicos para construir uma proposta individualizada de treinamento.


Instituto Neurofeedback

Av. Cristóvão Colombo, 2948, sala 212 — Porto Alegre

WhatsApp: (51) 99278-2033



REFERÊNCIA

Arns, M., & Sterman, M. B. (2019). Neurofeedback: How It All Started (2nd ed.). Brainclinics Insights. Capítulo 8, pp. 119–128.

Este artigo tem finalidade educativa e não estabelece diagnóstico.

 
 
 

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