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consulta de neuro e biofeedback

Você supera o estresse, mas seu corpo demora a perceber?

  • Foto do escritor: Instituto Neurofeedback
    Instituto Neurofeedback
  • há 7 dias
  • 4 min de leitura

Entenda por que algumas pessoas permanecem tensas e aceleradas mesmo depois do estresse e como a autorregulação pode ser treinada.



Você já viveu uma situação difícil que terminou por fora, mas continuou acontecendo por dentro? A conversa acabou. O problema foi resolvido. Você voltou para casa. Mesmo assim, seu coração continuou acelerado, os músculos permaneceram tensos e a mente passou horas reconstruindo o que aconteceu. Muitas pessoas descrevem essa experiência dizendo: “Eu sei que já passou, mas meu corpo ainda não entendeu”.


Isso não significa, necessariamente, fraqueza, falta de controle ou excesso de sensibilidade. Pode indicar que o sistema nervoso está com dificuldade e demorando para sair de um estado de proteção e retornar ao equilíbrio.


Reagir ao estresse é necessário

O estresse não é, por definição, algo negativo. Diante de uma ameaça, cobrança ou situação inesperada, o organismo mobiliza energia para responder. A atenção se volta para aquilo que parece mais urgente. A musculatura se prepara para agir. A respiração e a frequência cardíaca se modificam. Pensamentos relacionados ao problema ganham prioridade. Essa ativação pode ser útil quando precisamos tomar uma decisão, evitar um risco ou lidar com uma situação exigente. A dificuldade aparece quando o estímulo termina, mas o organismo permanece funcionando como se ainda fosse necessário defender-se. A pessoa pode continuar:

  • repassando mentalmente o acontecimento;

  • antecipando novas dificuldades;

  • percebendo qualquer estímulo como ameaça;

  • contraindo mandíbula, pescoço ou ombros;

  • respirando de maneira curta e superficial;

  • irritada ou emocionalmente hipersensível;

  • incapaz de retomar outras atividades;

  • com dificuldade para adormecer.

Nesses casos, o problema não está apenas na intensidade da reação inicial. Pode estar na velocidade e na qualidade da recuperação.


Pessoas diferentes se recuperam em velocidades diferentes

No livro Neurofeedback: How It All Started, Martijn Arns e Maurice Sterman descrevem um dos primeiros estudos de Sterman envolvendo pacientes neuropsiquiátricos submetidos ao teste pressórico ao frio. Nesse procedimento, a pessoa mantinha o pé em água muito gelada durante aproximadamente um minuto. Enquanto isso, os pesquisadores registravam EEG, respiração, pressão arterial e outras respostas autonômicas. Como esperado, a maioria dos participantes apresentou ativação cerebral e autonômica diante da dor. No EEG, isso aparecia como bloqueio da atividade alfa e aumento de um padrão relacionado à ativação. Entretanto, os pesquisadores identificaram diferentes formas de recuperação. Alguns participantes apresentaram uma recuperação rápida de alfa mesmo enquanto o estímulo desconfortável ainda estava presente. Essa recuperação cerebral foi acompanhada por normalização mais rápida da respiração e da pressão arterial. Outros permaneceram com bloqueio prolongado de alfa e alterações autonômicas por mais tempo, inclusive depois do término do estímulo. Essas observações históricas não significam que possamos dividir todas as pessoas atuais nesses mesmos grupos. Também não permitem diagnosticar ansiedade a partir da presença ou não de alfa. O estudo, no entanto, revelou algo importante: diante de um mesmo estressor, as pessoas apresentam padrões muito diferentes de ativação e recuperação.


Saúde emocional não significa nunca se alterar

Às vezes, associamos saúde emocional a uma pessoa que permanece calma em qualquer situação. Mas não é exatamente isso que esperamos de um sistema nervoso flexível. Existem momentos em que precisamos aumentar o nível de ativação. Em outros, precisamos reduzir a resposta e recuperar o equilíbrio.


Autorregulação é a capacidade de realizar essa transição: ativar quando é necessário e recuperar quando o perigo passou.


O organismo que nunca se ativa pode ter dificuldade para responder. O organismo que se ativa, mas não consegue reduzir a resposta, pode viver em um estado de alerta quase permanente. Com o tempo, essa dificuldade contribui para:

  • ansiedade persistente;

  • irritabilidade;

  • sensação de esgotamento;

  • dores relacionadas à tensão;

  • dificuldade de concentração;

  • ruminação;

  • sono superficial ou insônia;

  • sensação de estar sempre “no limite”.


Por que é tão difícil voltar ao equilíbrio atualmente?

A vida contemporânea oferece poucas oportunidades reais de recuperação. Uma situação de trabalho é seguida por uma mensagem. A mensagem é seguida por uma notícia. A notícia é seguida por uma cobrança familiar. Mesmo nos momentos de descanso, o celular continua oferecendo estímulos. O organismo não responde apenas aos grandes acontecimentos. Ele também precisa lidar com pequenas ativações acumuladas ao longo do dia. Quando não existem pausas suficientes, a pessoa pode iniciar uma nova situação antes de ter se recuperado da anterior. No final do dia, sente-se exausta, mas ainda fisiologicamente ativada.


O que pode ser avaliado?

Dificuldade de recuperação não possui uma única causa. É importante considerar:

  • qualidade e duração do sono;

  • ansiedade e sintomas depressivos;

  • história de estresse ou trauma;

  • funcionamento atencional;

  • respiração;

  • variabilidade da frequência cardíaca;

  • uso de medicamentos ou substâncias;

  • condições hormonais e metabólicas;

  • rotina de trabalho e descanso;

  • padrões de atividade cerebral.

Uma avaliação cuidadosa deve ser feita para compreender quais fatores estão mantendo o organismo em estado de alerta.


Como o treinamento neurofisiológico pode ajudar?

O neurofeedback utiliza informações da atividade cerebral para favorecer o aprendizado de autorregulação. A pessoa recebe um feedback visual ou auditivo que varia de acordo com determinados parâmetros do EEG. Com a repetição, o sistema nervoso aprende a reconhecer e sustentar estados mais organizados. O biofeedback de variabilidade da frequência cardíaca trabalha de maneira complementar. Por meio da respiração e de informações em tempo real sobre o ritmo cardíaco, a pessoa aprende a produzir maior organização entre os sistemas respiratório, cardíaco e autonômico. O objetivo não é eliminar todas as reações emocionais. Isso seria indesejável e irrealista. O propósito é ampliar a flexibilidade para que o organismo consiga responder e, depois, recuperar-se.


Talvez você não precise se controlar mais

Muitas pessoas que permanecem ativadas depois do estresse já se esforçam intensamente para manter o controle. Dizem a si mesmas que precisam esquecer, relaxar ou parar de pensar. Entretanto, autorregulação não é apenas uma ordem racional. É uma habilidade neurofisiológica. Talvez você não precise aumentar ainda mais a cobrança sobre si mesmo. Talvez precise compreender como seu organismo reage, quais fatores dificultam a recuperação e quais estratégias podem ajudá-lo a voltar ao equilíbrio.


No Instituto Neurofeedback, realizamos avaliação individualizada e utilizamos recursos como neurofeedback, biofeedback de variabilidade cardíaca e estratégias de regulação neurofisiológica para que o corpo aprenda a reconhecer e transitar entre os estados mentais de ativação e relaxamento de maneira funcional e produtiva.


Instituto Neurofeedback

Av. Cristóvão Colombo, 2948, sala 212 — Porto Alegre

WhatsApp: (51) 99278-2033



REFERÊNCIA

Arns, M., & Sterman, M. B. (2019). Neurofeedback: How It All Started (2nd ed.). Brainclinics Insights. Capítulo 1, pp. 19–23.


Este texto possui finalidade educativa e não substitui avaliação clínica individualizada.

 
 
 

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